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segunda-feira, 13 de junho de 2011

13ª. AULA A - Eutanásia B - A Fé que Transporta Montanhas


Eutanásia é o ato pelo qual subtrai-se a vida de alguém, com o pretexto de evitar-lhe sofrimentos, bem como aos seus familiares.
Desde a época de Esparta, na antiga Grécia, com seu culto ao corpo, eram condenados os inaptos, os enfermos. Gladiadores da Roma Antiga ou guerreiros na Idade Média, eram sacrificados sob pretexto de poupá-los da agonia.
Séculos se passaram e alguns esqueceram do juramento de Hipócrates (460/377 AC): “A ninguém darei, para agradar, remédio mortal, nem conselho que o conduza à destruição”.
A Medicina
A ciência médica tem a finalidade de curar, de sanar dores. Tem como dever, a preservação da vida em todos e qualquer caso.
O código de Ética Médica, prescreve, como dever do médico, o cuidado de preservar a vida humana e proíbe ao mesmo a utilização de meios destinados a abreviar a vida do paciente, ainda que a pedido deste ou de seu responsável legal. (Cap. V. art. 66).

Alguns defensores da Eutanásia argumentam quanto à inutilidade do enfermo e o custo de sua manutenção à sociedade. Ninguém é inútil. Todos temos responsabilidades quanto à preservação da vida, dada por Deus.
A morte como terapia destrói a razão de ser da Medicina (manter a vida). Argumento decrépito é aquele dos que defendem a morte dos idosos. Total falta de respeito àqueles que deram a vida física a outros. E, como esse ato indigno, argumentam com a dignidade do morrer. “Se fossem dignos, viveriam defendendo a dignidade de viver”.

Como definir a morte? Nas últimas décadas mudou-se a maneira de considerar a morte. Várias interrogações de ordem médica, ética e jurídica, foram levantadas com o desenvolvimento das técnicas de transplantes e da possibilidade de subsistência artificial das funções fisiológicas fundamentais. A antiga concepção da morte, entendida como um momento preciso de trespasse, e hoje interpretada como desintegração de um indivíduo, que se realiza em vários níveis e em várias etapas.
Daí, a dificuldade de encontrar sinais clínicos seguros de falecimento. A passagem da vida à morte envolve uma série de acontecimentos; não é uma mutação instantânea. Após discussões éticas e estudos técnicos, concluiu-se que a morte encefálica é o critério para caracterização e constatação da morte do indivíduo.

Desencarnação
Mas, a desencarnação significa o desligamento do Espírito daquele corpo em processo mortal, podendo acontecer desde momentos antes da consumação do óbito, até tempos depois, como em caso de suicidas. E a Doutrina Espírita vem nos ensinar questões de maior importância.

Assim, não é a partida do Espírito. Cada Espírito é sempre o mesmo indivíduo antes, durante e depois da encarnação, sendo esta, apenas, uma fase da sua existência. (Gênese, Cap. XI).
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo (Cap. V, item 28), Allan Kardec recebe de São Luís, a resposta à pergunta: “Um homem agoniza, presa de cruéis sofrimentos. Sabe-se que seu estado é sem esperança. É permitido poupar-lhe alguns instantes de agonia, abreviando-lhe o fim?”.

“Mas quem vos daria o direito de prejulgar os desígnios de Deus? Não pode ele conduzir um homem até à beira da sepultura, para em seguida, retirá-lo, com o fim de fazê-lo examinar-se a si mesmo e modificar-lhe os pensamentos? A que extremos tenha chegado um moribundo, ninguém pode dizer com certeza que chegou a sua hora final. A ciência, por acaso, nunca se enganou em suas previsões?

“Bem sei que há casos em que se pode considerar, com razão, como desesperados. Mas se não há nenhuma esperança possível de retorno definitivo à vida e à saúde, não há também inúmeros exemplos de que, no momento do último suspiro, o doente se reanima e recobra suas faculdades por alguns instantes? Pois bem: essa hora de graça que lhe é concedida, pode ser para ele da maior importância, pois ignorais as reflexões que seu Espírito poderia ter feito nas convulsões da agonia, e quantos tormentos podem ser poupados por um clarão de arrependimento.

“O Materialista, que só vê o corpo, não levando em consideração a existência da alma, não pode compreender estas coisas. Mas o Espírita, que sabe o que se passa além-túmulo, conhece o valor do último pensamento. Aliviai os sofrimentos o mais que puderdes, mas guardai-vos de abreviar a vida, mesmo que seja em apenas um minuto porque esse minuto pode poupar muitas lágrimas no futuro”.

Emmanuel, no texto intitulado “Eutanásia e Vida”, do livro Diálogo dos Vivos, observa que “o homem comum não conhece a face psicológica dos nossos irmãos suicidas e homicidas conscientes, ou daqueles outros que conscientemente se fazem pesadelos ou flagelos de coletividades inteiras. Devidamente reencarnados, em tarefas de reajuste, não mostram senão o quadro aflitivo que criaram para si próprios, de vez que todo Espírito descende das próprias obras e revela consigo aquilo que fez de si mesmo.

“Diante das crianças em prova ou dos irmãos enfermos imaginados irrecuperáveis, medita e auxilia-os.”
“Ninguém, por agora, nas áreas do mundo físico, pode calcular a importância de alguns momentos ou de alguns dias, para o Espírito temporariamente internado num corpo doente ou disforme”.

O Livro dos Espíritos, em sua questão 944, coloca: “O homem tem direito de dispor da própria vida?
“-Não. Somente Deus tem esse direito. O suicídio voluntário é uma transgressão dessa lei”.

Emmanuel, no livro Religião dos Espíritos, encerra o texto “Sofrimento e Eutanásia”, dizendo: “Lembra-te de que, valorizando a existência na Terra, o próprio Cristo, arrancou Lázaro às trevas do sepulcro, para que o amigo dileto conseguisse dispor de mais tempo para completar o tempo necessário à própria sublimação”.
BIBLIOGRAFIA:
Kardec, Allan - O Livro dos Espíritos
Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo
Kardec, Allan - A Gênese
Cajazeiras, Francisco - Eutanásia à Luz do Espiritismo
Xavier,F. C. - Diálogo dos vivos
Xavier,F. C. - Religião dos Espíritos
QUESTIONÁRIO:
1 - Que é a Eutanásia?
2 - Por que o homem não tem o direito de dispor da própria vida?
3 - Qual a resposta de São Luis, dada no Cap. V, ítem 28, do E.S.E., referente à Eutanásia?
B) A Fé que Transporta Montanhas
“Quando voltou para onde estava o povo, chegou-se a ele um homem que, ajoelhando-se a seus pés, lhe disse: Senhor, tem piedade de meu filho que é lunático e sofre cruelmente; muitas vezes cai, ora no fogo, ora na água. Já o apresentei aos teus discípulos, mas eles não o puderam curar. Jesus respondeu: Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei entre vós?Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui o menino.
E tendo Jesus ameaçado o demônio, este saiu do menino que ficou no mesmo instante curado. Então os discípulos vieram ter com Jesus em particular e lhe perguntaram: Por que não pudemos nós expulsar esse demônio? Jesus lhes disse: Por causa da vossa pouca fé; pois, em verdade vos digo que, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis àquela montanha: Passa daqui para ali, e ela passaria; nada seria impossível. Não se expulsam os demônios desta espécie senão por meio da prece e do jejum”. (Mateus, XVII, 14 a 20).

Com pequenas variantes, esta passagem também é narrada por outros dois evangelistas, Marcos, no capítulo IX, versículos 14 a 28, e Lucas no capítulo IX, versículos 37 a 43. Da narrativa de Marcos consta o diálogo entre Jesus e o pai do menino que achamos interessante reproduzir:

“Há quanto tempo isto lhe sucede? O pai respondeu: Desde a infância; e o Espírito o tem muitas vezes lançado ora à água, ora ao fogo, para fazê-lo perecer. Se puderes alguma coisa, tem piedade de nós e socorre-nos. Jesus lhe disse: Se puderes crer, tudo é possível àquele que crê. Logo o pai do menino exclamou, banhado em lágrimas, Senhor, eu creio, ajuda a minha pouca fé”.

Muitas vezes, podemos encontrar nos Evangelhos referências claras e precisas de Jesus ao poder da fé, sendo comum depararmos com expressões semelhantes a esta: “A tua fé te curou”. Parece-nos que o Mestre dava, por essa forma, ensino e lições que deveriam ficar gravados na memória de todos os que presenciavam os fatos, além de séria advertência aos seus futuros seguidores.

Recordemos ainda que Jesus afirmou aos Apóstolos: “Quem crer em mim, fará o que eu faço e ainda fará mais”.(João, XIV,12). Da mesma forma, guardemos a observação feita por Jesus aos 72 discípulos, que, ao regressarem pela primeira vez da missão que lhes fora atribuída, cheios de alegria, diziam:”Senhor, até os demônios se nos submetiam em teu nome”; recomendou-lhes então o Senhor que “não se regozijassem por lhes estarem os espíritos submetidos, mas antes por estarem os seus nomes escritos nos céus”.(Lucas X, 20).

De tudo se depreende os amorosos cuidados do Mestre para com os seus seguidores, alertando-os sempre contra as tentações do orgulho, para que não se envaidecessem diante dos resultados que fossem obtendo no desempenho de suas missões, na cura e alívio dos sofrimentos.

Invariavelmente, todas as vezes que realizava as curas, Jesus salientava a fé e a confiança daquele que recebia o benefício e, a respeito das poucas curas levadas a efeito, em sua Terra, onde “apenas curou alguns poucos doentes”, Jesus “admirou-se da incredulidade deles”. (Marcos, VI, 5 e 6).

Assim, para ser obtida a cura, torna-se evidente a necessidade da colaboração do doente, isto é, o desejo sincero de ser curado, conjugado com a fé, confiança e vontade potente de quem vai operar em nome do Senhor, tudo isso aliado ainda à possibilidade cármica, em face da lei. Todas as doenças podem-se aliviadas, mas nem todas podem ser curadas.

A confiança ns próprias forças nos torna capazes de executar grandes coisas, mesmo materiais, que não obteríamos, se não confiássemos em nós mesmos. As montanhas a serem removidas pela fé, referidas no Evangelho, devem ser, antes de mais nada, as montanhas de nossas imperfeições e inferioridades constituídas de má vontade, resistência, preconceitos, interesses materiais, egoísmo, fanatismo, paixões orgulhosas, etc...

A fé sincera e verdadeira é sempre calma, paciente e humilde. Deve ser cultivada pela moralização de nossos costumes; pela pureza de pensamentos, palavras e atos; pela crescente confiança na ilimitada bondade divina, para desenvolver dentro de nós a força magnética que nos possibilitará agir sobre o fluído universal e que, usada convenientemente, pela nossa vontade, é capaz de operar prodígios, sempre que é utilizada em benefício do nosso próximo.

Jesus disse aos discípulos que aquela espécie de espírito obsessor só sairia pela oração e pelo jejum. Devemos entender, então, que, através de uma fé fervorosa, vertida em sentida prece, que é pensamento puro, surto do amor, poderemos expeli-los, desde que estejamos em jejum, isto é, em condições morais satisfatórias de abstinência de pensamentos culposos, de sobriedade na satisfação de nossas necessidades e austeridade de proceder.

Nas palavras repassadas de sentimento daquele pai, que, banhado em lágrimas, diz: “Eu creio, Senhor, ajuda a minha pouca fé”, podemos sentir uma expansão de simplicidade e de humildade, pois certo do poder de Jesus para lhe atender à súplica, não se sentia ele próprio bastante forte na sua fé para merecer tal graça.
BIBLIOGRAFIA:
Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo
QUESTIONÁRIO:
1 - Qual o poder da fé?
2 - Qual outro sentido tem a palavra "montanha"?
3 - Na sua opinião, o que "Fé"?

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