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segunda-feira, 13 de junho de 2011

19ª. AULA A - A Porta Estreita B - Sede Perfeitos


A) A PORTA ESTREITA
Entre os extraordinários ensinamentos do Divino Mestre Jesus, delineados no Sublime Sermão do Monte, cap. 7 do Evangelho Segundo Mateus, vers. 13-14, encontramos a passagem das Duas Portas, em que o Cristo nos aponta o melhor caminho a seguir, nas sendas da evolução do Espírito.

A idéia das portas, porém, já era encontrada nas antigas tradições religiosas, como locais de passagem entre dois estados, entre dois mundos distintos um do outro (entre o conhecido e o desconhecido, entre a luz e as trevas), e levando a resultados inteiramente diversos. O iniciado era preparado, através de duras provas, para a travessia, cabendo-lhe todavia escolher a forma como realizá-las.

Tratava-se dos rituais de passagem, em que a travessia era uma viagem rumo a uma situação diversa daquela em que o candidato vivera até aquele momento. Nas tradições judaicas e cristãs, essa passagem transformou-se num acesso à Revelação. Ainda hoje essa tradição é mantida e pode ser sentida em diversos rituais modernos, como, por exemplo, nos “trotes” universitários, em que os calouros são submetidos, freqüentemente, a humilhações e violências extremas.

N’O Evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos a lição da porta assim colocada por Allan Kardec: “A porta da perdição é larga, porque as más paixões são numerosas e o caminho do mal é o mais freqüentado. A da salvação é estreita, porque o homem que deseja transpô-la deve fazer grandes esforços para vencer as suas más tendências, e poucos se resignam a isso. Completa-se a máxima: São muitos os chamados e poucos os escolhidos.

“Esse é o estado atual da Humanidade terrena, porque sendo a Terra um mundo de expiações, nela predomina o mal. Quando estiver transformada, o caminho do bem será o mais freqüentado. Devemos entender estas palavras, portanto, em sentido relativo e não absoluto. Se esse tivesse de ser o estado normal da Humanidade, Deus teria voluntariamente condenado à perdição a imensa maioria das crianças, suposição inadmissível, desde que se reconheça que Deus é todo justiça e todo bondade”. (Cap. XVIII, item 5).

Ao analisar a questão posta por Jesus,, Emmanuel situa as portas na “muralha do tempo”, delimitando as dimensões passado e presente, aquém e futuro, além da muralha, para mostrar-nos que podemos permanecer na comodidade dos desacertos do mundo ou optarmos pela renovação dos nossos valores.

De fato, a porta larga (a da perdição), aponta para as ilusões do mundo: as más paixões, os vícios, os maus hábitos, as frustrações, os desequilíbrios, as más tendências, as concepções errôneas. É o caminho mais trilhado, visto que a Humanidade ainda não se deu conta da importância da vida futura, preferindo permanecer nas cogitações do imediatismo e das sensações, degradando-se nos atrativos que essa porta oferece.

Entorpecido pelas vivências exteriores e periféricas, o Espírito mergulha cada vez mais nas diversões materialistas, acreditando que tem em mãos as rédeas do destino e que poderá a qualquer momento, num “passe de mágica”, alterar os resultados das suas ações. Equivocado, ignora os meandros da Lei de Causa e Efeito, que mais cedo ou mais tarde o chamará a complexos reajustes.

O que elegeu a porta estreita, ao contrário, é um Espírito amadurecido e consciente, enxergando com os olhos da alma, que alça vôos mais seguros e reais. Já compreendeu que o caminho apertado exige conhecimento, critério, vigilância, prudência, humildade e renúncia, para nele permanecer. É o caminho da vida da felicidade, da luz.

O indivíduo desperto não se forra a esforços; cuida primeiramente do seu campo mental, educa os seus pensamentos, policia as suas palavras, fala menos e ouve mais; procura viver em sintonia com o Alto através da prece sincera, simples, constante; não mede forças para auxiliar o seu próximo, vivenciando a lei de solidariedade na sua verdadeira expressão; procura compreender e perdoar aqueles que lhe estão à volta, principalmente no ninho doméstico.

Enfim, sabe que a confiança em Deus, acima de tudo é a forma mais sublime de manutenção das forças anímicas para a travessia escolhida. Assim é que renuncia às facilidades do mundo, à opinião dos homens, para sentir a presença de Deus, no recôndito de sua alma, imunizando-se, assim, contra os acidentes de percurso (pois os obstáculos se apresentam mais palpáveis nesse caminho). Sobretudo, está consciente de que a vitória ao final da jornada será conquistada por seus méritos e com inenarrável alegria íntima.

Não podemos nos esquecer das lições imorredouras do nosso Mestre Jesus, que dizia: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á...” (Jô, 10:9), mostrando assim a importância de vivermos dentro dos padrões evangélicos, qualquer que seja a dimensão em que estamos situados. É necessário adquirir esse bom hábito!

No estágio atual da Humanidade terrena, predomina o mal, em diversos aspectos: o orgulho, o egoísmo, o materialismo, a sensualidade, a agressividade, a ambição desmedida, a mentira, a maldade. Porém, não estamos obrigados a aderir a esse estado de coisas: devemos orar permanentemente, para não cairmos em tentação, reformulando nossas concepções errôneas; e valorizar cada oportunidade de renovação, vendo no Cristo “o Caminho, a Verdade e a Vida”.
BIBLIOGRAFIA:
Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo
QUESTIONÁRIO:
1 - Como Kardec caracteriza as duas portas?
2 - Qual é, para o Espírito, a porta larga?
3 - É fácil passar pela porta estreita? Como fazer?
B) SEDE PERFEITOS
“Tendes ouvido o que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos perseguem e caluniam, para serdes filhos de vosso Pai que está nos céus; que faz nascer o sol sobre os bons e maus, e vir chuva sobre os justos e os injustos. Porque se só amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem o mesmo os publicanos?
Se somente saudardes os vossos irmãos, que é o que com isto fazeis mais do que os outros? Não fazem o mesmo os gentios? Sede, pois, perfeitos, como é perfeito vosso Pai Celestial”. (Mateus, 5:43-48). Passagem semelhante é narrada pelo evangelista Lucas (6:27-28 e 32-36), aparecendo o último versículo assim: “Sede, pois, misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso”.

Jesus disse: “Não vim destruir a lei, mas sim cumpri-la” (Mateus, 5:17). Como já vimos anteriormente, o Mestre referia-se à lei divina e não à lei humana, que mandava amar ao próximo e odiar aos inimigos. Entretanto, não nos enganemos com o sentido que devemos dar às palavras de Jesus, quando no manda amar nossos inimigos, pois com isso não quis, por certo, dizer que devemos amar o inimigo com o enternecimento e carinho, a ternura e confiança que dedicamos a um irmão ou a um amigo. Não poderemos ter para com quem nos persegue as mesmas expansões de amizade ou arroubos de simpatia, que manifestamos por aqueles com os quais estamos em comunhão de pensamento e em sintonia.

Amar os inimigos, então, é não lhes ter ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; é perdoar-lhe o mal que nos fazem, sem obstar à reconciliação; é desejar-lhes o bem e não o mal; alegrarmo-nos com a sua felicidade, estendendo-lhes a mão caridosa em caso de necessidade, abstendo-nos, por palavras e atos, de tudo quanto possa prejudicá-los; é, enfim, pagar sempre o mal com o bem, sem idéia de humilhá-los, e quem isso fizer, estará, sem dúvida, amando aos seus inimigos.

Deus é a perfeição infinita em todas as coisas e daí não devemos tomar ao pé da letra a máxima: “Sede perfeitos”, pois isso suporia a possibilidade de alcançarmos a perfeição absoluta, tornando a criatura igual ao Criador, o que é inadmissível. Assim, Jesus apresentava aos homens um modelo, o mais perfeito, para que se esforçassem por imitá-lo, a fim de alcançarem a perfeição relativa de que são capazes. O grau de perfeição que podemos atingir está na razão da extensão do amor ao próximo, que podemos realizar, dilatando até o amor aos inimigos.

Moisés teve de ensinar a seus tutelados a amarem pelo menos de sua grei ou família. Jesus, porém, dilata o ensinamento, fazendo-nos compreender que todos os homens são irmãos, filhos de um único Pai, seja qual for a raça a que pertençam, até mesmo o nosso próprio inimigo.

Desde que começamos a esclarecer as nossas mentes e vamos libertando nossas consciências dos preconceitos e cristalizações, procurando lutar, para vencermos as nossas inferioridades, compreendemos a dificuldade imensa que encontramos, para atravessarmos a muralha de nossas imperfeições e escalarmos a montanha de nossos vícios e defeitos.
A grande esperança e nosso maior estímulo residem, então, na lei da reencarnação, que nos concede sempre renovadas oportunidades para alcançarmos, pela evolução, a perfeição relativa que nos compete. É pela reencarnação que os Espíritos que se odeiam têm oportunidade de se reconciliar, através dos laços consangüíneos, lutando e sofrendo juntos para se entenderem, vencerem a aversões recíprocas e, finalmente, se amarem!

Em Lucas, 6:40: “O discípulo não está acima do seu mestre; mas todo o discípulo será perfeito, se for como seu mestre”. Palavras de estímulo estas, pronunciadas por Jesus, modelo de perfeição, que nos diz poderem os discípulos igualar-se ao Mestre. Nossa compreensão nos diz porém, que, somente percorrendo toda a estrada que nos foi aberta pelo modelo e guia, poderemos realizar esse magnífico objetivo e, isso, através das existências sucessivas na carne, dada a nossa ainda endividada posição atual.

Poderemos acelerar a nossa marcha e ganhar terreno no extenso caminho a percorrer, em busca de nosso aperfeiçoamento, se desde já nos compenetrarmos do nosso papel e da necessidade urgente de vivê-lo intensamente, buscando fazê-lo através de nosso sentimento de caridade e do amor ao próximo, fazendo o bem pelo bem, sem esperar recompensa, pagando o mal com o bem, defendendo o fraco contra o forte e sacrificando sempre nossos interesse em face da justiça; sendo indulgentes para com as fraquezas alheias e severos para com as próprias, não nos comprazendo em evidenciar os defeitos dos outros, mas estudando nossas próprias imperfeições e trabalhando, incansavelmente, para as combater e vencer.

O Espiritismo bem compreendido mas, sobretudo, bem sentido e vivido, acelera a evolução e conduz, inevitavelmente, o seu adepto à perfeição, porquanto o progresso moral e espiritual é a característica do verdadeiro espírita, ou verdadeiro cristão. O verdadeiro e sincero espírita tem o coração enternecido e a fé a toda prova, podendo ser reconhecido por sua transformação moral e pelo esforço que faz para dominar as más inclinações.
BIBLIOGRAFIA:
Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo
QUESTIONÁRIO:
1 - O que significa para o Espírito "ser perfeito"?
2 - O que significa "amar os inimigos"?
3 - Na sua opinião, como devemos proceder para que sejamos cada vez melhores, rumando à perfeição?

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